Se o interior do país está desertificado, nomeadamente o Alentejo, é porque os sucessivos governos trabalharam para acabar com a agricultura em Portugal. Aliás, aquela moda das anedotas sobre os alentejanos que visam apresentá-los como broncos, lentos, não querem trabalhar, mandriões… é uma forma de procurar justificar ideologicamente o abandono a que aquela zona do país foi votada. E, portanto, se de facto aquilo é uma zona de broncos e calaceiros, não faz mal estar abandonada. E, hoje, no Alentejo, temos uma das maiores taxas de suicídio de toda a Europa e temos áreas de fome onde a última coisa que resta a esses nossos concidadãos é a sua dignidade. A dignidade que os faz esconder a situação em que vivem. Mas quem conhece o problema sabe que isto é verdade.
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sábado, 15 de agosto de 2009
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
Falando de "Regionalização"
A regionalização é uma política de dividir para reinar, fazendo crer aos cidadãos do Norte que se eles estão numa situação difícil, de miséria e desemprego, que a culpa não é da política do governo, mas dos que vivem no Sul, e vice-versa.
A regionalização, se se fizer, servirá para justificar ideologicamente a criação de uma série de “tachos” e sinecuras ao nível das estruturas dos órgãos do Estado para alimentar clientelas partidárias. Não significando qualquer alteração das políticas dominantes, a regionalização só representará a manutenção ou o agravamento dos problemas das populações.
Se o cidadão em Trás-os-Montes não tem hospitais decentes e em número suficiente, se não tem uma rede viária digna, se o sistema de transportes é deficiente, se a energia eléctrica é cara, por exemplo, não é por não haver uma estrutura política executiva regional mas, sim, porque a política do governo é errada.
Outra coisa é a desconcentração administrativa. Na realidade, é completamente absurdo que se se partir um vidro num centro de saúde em Vila Real de Trás-os-Montes, enquanto não vier um papel por aí abaixo até ao Terreiro do Paço e tiver 37 carimbos em cima e voltar para trás, o vidro não seja substituído. Este tipo de situação, obviamente, tem que acabar. Mas isso não tem que ver com a regionalização, tem que ver com desconcentração e descentralização administrativa.
A regionalização, se se fizer, servirá para justificar ideologicamente a criação de uma série de “tachos” e sinecuras ao nível das estruturas dos órgãos do Estado para alimentar clientelas partidárias. Não significando qualquer alteração das políticas dominantes, a regionalização só representará a manutenção ou o agravamento dos problemas das populações.
Se o cidadão em Trás-os-Montes não tem hospitais decentes e em número suficiente, se não tem uma rede viária digna, se o sistema de transportes é deficiente, se a energia eléctrica é cara, por exemplo, não é por não haver uma estrutura política executiva regional mas, sim, porque a política do governo é errada.

Outra coisa é a desconcentração administrativa. Na realidade, é completamente absurdo que se se partir um vidro num centro de saúde em Vila Real de Trás-os-Montes, enquanto não vier um papel por aí abaixo até ao Terreiro do Paço e tiver 37 carimbos em cima e voltar para trás, o vidro não seja substituído. Este tipo de situação, obviamente, tem que acabar. Mas isso não tem que ver com a regionalização, tem que ver com desconcentração e descentralização administrativa.

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