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domingo, 23 de agosto de 2009

Ainda as convicções...

Nos últimos anos, temos visto alguns políticos situados à esquerda derivarem para os partidos da direita. O caso mais gritante será o de Durão Barroso, que militou no MRPP e, hoje, é um serventuário do grande capital.
Julgo que essas pessoas nunca estiveram verdadeiramente na esquerda. São pessoas que embarcaram num comboio que achavam ser aquele que as levaria mais rapidamente ao poder. Assim que perceberam que não era assim, saltaram rapidamente e foram em busca de outro. O que está aí em causa é puro oportunismo político.
Não me estou a referir a pessoas que estiveram em partidos da esquerda, designadamente no MRPP, que participaram em combates cívicos e políticos muito importantes e que depois se afastaram da luta político-partidária ou se afastaram do MRPP, mas que se mantêm na esquerda e continuam a abraçar grandes princípios de vida. Aí, trata-se apenas de um problema de discordância de opiniões.

sábado, 22 de agosto de 2009

Se podes escutar, aprende.

Não abdico dos meus princípios, o que não significa que não oiça a opinião dos outros. Oiço e estou sempre a aprender. A capacidade de ouvir ideias diferentes das nossas é algo que é muito importante. Acredito firmemente que as ideias justas se impõem pela sua própria capacidade de argumentação. É no fogo da crítica, do debate, da troca de argumentos, que as ideias justas têm de se impor. Quando se pretendem impor ideias justas por métodos administrativos e de autoridade, os erros são enormes.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

"Em frente a gente desta, não se chora"


Quer com os meus pais quer com o meu avô, aprendi grandes princípios e aprendi a fidelidade aos princípios, aprendi esse modo de se estar que é o de se fazer aquilo que em consciência se considera que é correcto, nem que chovam canivetes. O de nos batermos contra o que consideramos que é injusto e errado.
Há um episódio que nunca esqueço, que se passou com a minha mãe, quando o meu tio estava preso. Ele era o capitão Pestana do assalto ao Quartel de Beja... foi preso, levado para a PIDE, para a rua António Maria Cardoso, sujeito à tortura do sono, esteve encarcerado nos curros da Prisão do Aljube, onde o preso não conseguia sequer pôr-se de pé. A cela era um verdadeiro curro e esteve oito dias em tortura do sono… E quando ao fim de um mês e tal foram finalmente permitidas as visitas, a minha mãe tomou a decisão – que aliás gerou alguma controvérsia na família - de me levar também. Tinha 9 anos de idade.
A prisão do Aljube era uma prisão lúgubre, de paredes grossíssimas, umas luzes muito débeis lá no alto do tecto, um pé direito muito elevado. Grades por todos os lados. O preso vinha, era colocado num local onde tinha grades por trás e grades pela frente, um intervalo onde estava um PIDE a escutar a conversa, mais uma fiada de grades, os familiares, mais grades por detrás de nós.
Quando o meu tio entrou, não o reconheci. Estava completamente desfigurado, não por ter sido espancado, mas porque a tortura do sono o tinha desfigurado por completo. E só quando ele começou a falar lhe reconheci a voz. Ao ver o meu tio naquele estado, comecei a choramingar… a minha mãe agarrou-me no braço, apontou o PIDE e disse-me “em frente de gente desta, não se chora”.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

A massa do sangue

Eu tenho três amores. A advocacia, o ensino e a política. Não sei de qual gosto mais. É uma corrida onde os três têm de se acotovelar no pódio. Gosto de qualquer destas três actividades. Faço qualquer delas por gosto e por convicção.
A paixão pelo ensino, creio que vem da massa do sangue, visto que o meu pai também era professor. Foi professor de Inglês e Alemão durante umas décadas.
A advocacia veio pelo exemplo do meu avô. Quando cheguei ao final do ensino médio e tive de escolher, tinha exactamente média igual em Letras e em Ciências, hesitava entre ir para coisas tão parecidas ou tão diferentes como médico cirurgião, engenheiro naval ou advogado. Acabei por ir para Direito, sobretudo pelo exemplo do meu avô.
E a política (herança genética de um avô e um tio Republicanos) também é algo que faço com convicção. Para uma pessoa que se bate pelos ideais que eu me bato, a política não é um modo de vida. Antes pelo contrário, cada campanha eleitoral em que entro é um desastre financeiro absoluto, mas acho que não há nada de mais elevado e sublime do que lutar pelos ideais em que se acredita.
Na foto, com o meu avô (à direita), o meu pai (na esquerda) e o meu irmão.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Convicções

Quando achamos que temos razão, não devemos abdicar da luta por aquilo que entendemos ser justo. Pode demorar tempo, pode já não ser no nosso tempo, pode ser daqui a uma geração ou duas, ou cinco, ou dez… isso não interessa. O que interessa é o rumo que imprimimos aos acontecimentos – isso é o que a História nos ensina.