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sexta-feira, 6 de julho de 2012

A PROPÓSITO DA LICENCIATURA “(DES)HONORIS CAUSA” DE MIGUEL RELVAS

O que é sobretudo grave neste caso é que um Ministro ache que a sua conduta se deve avaliar pela sua maior ou menor capacidade para se aproveitar dos “buracos” ou das iniquidades da lei e não também, para não dizer essencialmente, pelo grau ético dos seus comportamentos.

E mais grave ainda é que um Primeiro-Ministro entenda e proclame que a circunstância de um seu Ministro se licenciar num único ano, com o expediente disponibilizado pela Universidade da concessão de equivalências a 32 cadeiras, sob a invocação dos cargos (quase todos político-partidários) que desempenhou, por alegadamente a lei tal permitir, seria… um “não assunto”.

Se Portugal não fosse um País em que, ao nível dos Partidos e dos órgãos do Poder, se perdeu o mais leve vislumbre de vergonha, o Ministro e, com a cobertura que deu a este, o Primeiro-Ministro, estariam há muito na rua!

Mas este lastimável e degradante episódio mostra bem o grau zero da decência a que chegou um País que permitiu que a sua actual classe política dirigente seja no essencial constituída por indivíduos profundamente incultos, assustadoramente ignorantes e verdadeiramente amorais, que nunca fizeram nada na vida a não ser militarem nas juventudes partidárias e daí saltarem para os cargos políticos e públicos, distribuídos entre si como se de coutadas privativas dos Partidos do Bloco Central se tratassem.

E, já agora, recorde-se que são estes mesmos “neo-yuppies” que, sempre com os chavões da “eficiência”, da “competitividade” e do “empreendedorismo” na boca, vêm todos os dias pregar que os Portugueses são preguiçosos, acomodados e piegas, que viveram acima das suas possibilidades e que agora devem aceitar e carregar com toda a sorte de sacrifícios que esta gente sinistra lhes mande para cima.

É tempo de dizer “BASTA!”.

sexta-feira, 16 de março de 2012

TODOS COM A GREVE GERAL!



A greve geral nacional do dia 22 de Março deve constituir e representar a força do movimento popular contra o pagamento da dívida, pelo derrubamento do Governo de traição nacional Coelho / Portas e pela formação dum Governo democrático patriótico, contra as medidas de austeridade e recessão.
Multipliquemos os nossos esforços para que nem um só trabalhador deixe de participar activamente na greve geral.

Com a devida vénia, aqui transcrevo na íntegra, pela sua actualidade e correcção, o editorial do Luta Popular online:

Editorial - TODOS COM A GREVE GERAL! 

Estamos apenas a uma semana da grande greve geral nacional, marcada para o próximo dia 22 de Março.

Convocada ou apoiada por todas as forças políticas e sindicais democráticas, a próxima greve geral tem por objectivo estratégico o derrubamento do governo de traição nacional Coelho/Portas e o reforço da luta política para a formação de um governo democrático patriótico, capaz de subtrair o nosso povo e o nosso país à política terrorista de exploração e opressão imposta pelo imperialismo alemão e pelas estruturas que materializam o seu domínio: a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional, tudo incluído na designação da Tróica.

Tem também a greve geral nacional da próxima quinta-feira objectivos imediatos: derrotar as medidas legislativas de austeridade e pobreza consistentes no aumento do desemprego e no roubo de salários e de trabalho, tudo resultante do projecto de alteração do Código de Trabalho, em discussão na assembleia da República, e das medidas de liquidação do Serviço Nacional de Saúde, da Segurança Social, do Ensino e da Escola Públicas.

Todas as medidas de austeridade e recessão acima sumariamente enumeradas têm em vista pagar aos bancos da zona Euro, com a banca germânica à frente, uma colossal dívida pública que o povo nunca contraiu e que não vai pagar.

A greve geral nacional da próxima semana deve constituir e representar a força do movimento popular português contra o pagamento da dívida: Não Pagamos!

Conclamamos todos os nossos leitores e todas as nossas leitoras a multiplicarem os seus esforços, para que nem um só trabalhador deixe de participar activamente na grande greve geral nacional de 22 de Março.

Apesar da traição do Engº João Proença e da direcção nacional da UGT, sabemos que muitos sindicatos daquela Central e centenas de trabalhadores nela filiados aderiram já à greve e vão lutar sem tréguas pela sua vitória e pela derrota do oportunismo no movimento sindical português.

Trabalhadores e Trabalhadoras: cada um de nós deve comportar-se, nestes dias que ainda faltam para o começo da greve geral nacional, como um agitador, um propagandista e um organizador indomável no reforço da preparação da greve.

É necessário organizar com alguma antecedência os piquetes de greve nas fábricas, nas empresas e nos serviços, participando activamente nessas estruturas de luta, sempre com um nível político elevado e decidido.

O movimento sindical, o movimento operário e o movimento revolucionário devem sair reforçados desta grande luta e irão alcançar com certeza uma grande vitória contra a exploração e a opressão.

Não Pagamos!

Morte à política de traição nacional do governo PSD/CDS!
Morte ao governo Coelho/Portas!
Viva a Greve Geral Nacional de 22 de Março!
Viva o governo democrático patriótico!
Vivam a Classe Operária e todos os Trabalhadores!

A Direcção
 

 

segunda-feira, 18 de julho de 2011

SE ELES FAZEM ISTO AOS AMIGOS, O QUE NÃO FARÃO AOS INIMIGOS!


O insuspeito – por ser uma espécie de órgão oficioso do PSD – Jornal Expresso anunciou e reiterou, mesmo após o desmentido de Pedro Passos Coelho, que o Governo pediu informações ao SIS sobre Bernardo Bairrão e as suas actividades.

Nem sequer me preocupo agora em chamar a atenção para a história mal contada, inclusive pelo próprio Passos Coelho, que foi todo este episódio da indigitação e “desindigitação” de Bernardo Bairrão.

Mas esta notícia envolvendo o SIS – que está, como todos os Serviços de Informações em Portugal, sem efectivo controlo democrático das suas actividades e em perfeita “roda livre” e que já tem no seu passado comprovadas actividades de espionagem de activistas e dirigentes associativos, sindicais e políticos e, mais recentemente, de informações prestadas a empresas privadas – deve sobretudo suscitar, até pela forma “tranquila” como foi dada, duas questões essenciais:

Será que ninguém neste País ousa levantar a questão de que os chamados “Serviços de Informações”, sob pena de não se diferenciarem do que fazia a Pide, não podem servir para dar informações (sejam elas políticas, pessoais, profissionais ou outras) sobre cidadãos candidatos a um qualquer cargo ou emprego?

E não é perceptível que se não nos erguermos contra isto ficamos, todos sem excepção, em perigo, já que se normaliza e torna “aceitável” não só que o SIS e quejandos vigiem e espiem toda a gente, em particular os adversários políticos, como também que os titulares desses mesmos cargos ou empregos não sejam escolhidos pela sua competência, mas antes pelo “nada consta em seu desabono” da actual e “democrática” polícia de informações?



terça-feira, 29 de março de 2011

PS E PSD ESTÃO BEM UM PARA O OUTRO!


Se a demissão de Sócrates foi uma magnífica vitória do Povo Português e se a sessão parlamentar de chumbo do PEC-IV foi uma derrota estrondosa da chamada Esquerda Parlamentar, que sempre se opôs ao derrube de Sócrates, e permitiu que a Direita tratasse de se apropriar daquela vitória, também é verdade que Cavaco deveria ter aceite logo a demissão e deve agora marcar rapidamente as eleições uma vez que o apodrecimento da situação apenas serve os interesses do seu Partido, o PSD, cada vez mais empenhado em deter uma maioria absoluta nas próximas eleições.

Mas há uma outra providência que deve ser tomada desde já, que se revela indispensável a uma correcta definição de medidas quanto à dívida soberana portuguesa e que é a realização de uma auditoria pelo Banco de Portugal à mesma dívida, para responder essencialmente a três perguntas: quanto, a quem e porquê se deve?

Ora Cavaco, com o apoio do PS, do PSD e do CDS, inviabilizou essa medida e assim impossibilitou o Povo Português não apenas de alcançar o conhecimento de quanto da tal dívida não deve ser paga pelos trabalhadores portugueses (por respeitar pura e simplesmente ao custo da gestão fraudulenta e da especulação financeira) como também de compreender que aquilo que constante e eufemisticamente se designa hoje de “os mercados” não passar afinal dos grandes bancos europeus, e em particular dos bancos alemães, que, com a compra da dívida pública portuguesa a juros absolutamente exorbitantes, se estão a encher à tripa forra à custa dos sacrifícios cada vez maiores do Povo Português!

Cavaco, Sócrates, Passos Coelho e Paulo Portas lá sabem porque é que trataram de impedir que os cidadãos portugueses tivessem acesso a essa informação e pudessem decidir o que é mais adequado aos seus interesses, do mesmo passo que esses mesmos responsáveis pela actual situação do País se apressaram a garantir, até parece que por escrito, que tudo farão para que os portugueses paguem aquilo que a senhora Merkel lhes ordenar!

Sacudir a canga que nos querem pôr ao pescoço passa, de forma cada vez mais clara, por sacudir também os respectivos donos!