O que é sobretudo grave neste caso é que um Ministro ache que a sua
conduta se deve avaliar pela sua maior ou menor capacidade para se aproveitar
dos “buracos” ou das iniquidades da lei e não também, para não dizer
essencialmente, pelo grau ético dos seus comportamentos.
E mais grave ainda é que um Primeiro-Ministro entenda e proclame que a
circunstância de um seu Ministro se licenciar num único ano, com o expediente disponibilizado
pela Universidade da concessão de equivalências a 32 cadeiras, sob a invocação
dos cargos (quase todos político-partidários) que desempenhou, por alegadamente
a lei tal permitir, seria… um “não assunto”.
Se Portugal não fosse um País em que, ao nível dos Partidos e dos
órgãos do Poder, se perdeu o mais leve vislumbre de vergonha, o Ministro e, com
a cobertura que deu a este, o Primeiro-Ministro, estariam há muito na rua!
Mas este lastimável e
degradante episódio mostra bem o grau zero da decência a que chegou um País que
permitiu que a sua actual classe política dirigente seja no essencial
constituída por indivíduos profundamente incultos, assustadoramente ignorantes
e verdadeiramente amorais, que nunca fizeram nada na vida a não ser militarem
nas juventudes partidárias e daí saltarem para os cargos políticos e públicos, distribuídos
entre si como se de coutadas privativas dos Partidos do Bloco Central se tratassem.
E, já agora, recorde-se que são estes mesmos “neo-yuppies” que, sempre
com os chavões da “eficiência”, da “competitividade” e do “empreendedorismo” na
boca, vêm todos os dias pregar que os Portugueses são preguiçosos, acomodados e
piegas, que viveram acima das suas possibilidades e que agora devem aceitar e
carregar com toda a sorte de sacrifícios que esta gente sinistra lhes mande
para cima.
É tempo de dizer “BASTA!”.
