quinta-feira, 27 de agosto de 2009

A questão das coligações eleitorais

Num comentário a um texto que publiquei no dia 11 de Agosto, perguntaram-me porque razão não me integro numa coligação com o Bloco de Esquerda...
Se se coloca a questão em termos de coligação ou aliança eleitoral, e em particular para estas eleições, a resposta é claramente negativa. Por um lado, uma aliança ou plataforma de entendimento deve ser sempre feita com base em princípios políticos correctos. Ora, o BE não só foi um dos principais elogiadores da vitória de Sócrates nas últimas legislativas, apresentando-a como uma vitória da esquerda quando o que ela representou foi a vitória da direita mais ultraliberal e representativa do grande capital financeiro – aliás, o MRPP foi o único que o disse na altura, tudo e todos lhe caíram em cima e agora quase tudo e quase todos lhe dão razão.
Por outro lado, o BE é um daqueles partidos que nunca revela que tipo de sociedade é que defende e como é que se chega lá, precisamente para esconder que não tem um programa político e que é um dos principais respondáveis pela “desideologização” dos trabalhadores, numa altura em que estes, mais do que nunca, precisam de um norte ideológico.
Mas tal não significa, como é óbvio, que em aspectos pontuais, mesmo na Assembleia da República e em situações muito específicas, desde que respeitados os princípios de defesa dos interesses de quem trabalha, não seja possível criarem-se pontos de entendimento. A situação actual em Lisboa era precisamente um dos casos em que (tal como tive oportunidade de defender), se impunha que todos os partidos, forças e personalidades de esquerda - o que não tem nada a ver com a mera soma aritmética de apenas alguns deles e ainda por cima sob a égide de uma pessoa que não compreende o que deve ser a cidade – criassem uma candidatura capaz de derrotar a do Santana Lopes.

3 comentários:

  1. Este artigo, reflecte com correcção a consequente clarividência das posições políticas e ideológicas do PCTP/MRPP e dos seus e dirigentes.

    Só não entende quem não quer.

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  2. Obrigado! Mas creio que devemos respeitar quem não pense como nós e procurar, com a força da razão, persuadi-los da justeza dos nossos argumentos. Se o conseguirmos fazer, seguramente que a grande maioria das pessoas concordará com aquilo que é justo.

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